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Criaturas da noite

Nesta atividade, irá monitorizar morcegos nos seus abrigos de verão e descobrir quantas crias nasceram na colónia! Ao partilhar os seus resultados connosco, estará a contribuir para que possamos conhecer melhor estes mamíferos noturnos. Quanto melhor os conhecermos, melhor os conseguiremos proteger! Toda a informação recebida será analisada pela equipa do projeto “Natura +”, para mapear a distribuição das colónias de criação no nosso país e para monitorizar o sucesso reprodutivo das várias espécies.

 

Material necessário:

Dispositivo móvel com GPS (ex. telemóvel) ou computador, máquina fotográfica e lápis.

Instruções

Morcegos de Portugal

Os morcegos são mamíferos que têm os ossos dos dedos das patas anteriores adaptados para suportar as membranas alares. Estes animais voadores são geralmente noturnos e orientam-se por ecolocalização. Ou seja, eles emitem ultra-sons – sinais sonoros inaudíveis aos humanos – e utilizam o eco resultante para determinar a posição de objetos, plantas e animais! Atualmente, sabe-se que existem, em Portugal, 28 espécies de morcegos. Estes são organismos muito importantes para o bem-estar humano, pois, ao alimentarem-se de insetos, ajudam a controlar as populações de pragas agrícolas.

Estatuto de conservação

De uma forma geral, os morcegos são um grupo pouco estudado em Portugal, pelo que o estado de conservação nacional de várias espécies é desconhecido. No entanto, sabe-se que pelo menos 14 espécies estão ameaçadas de extinção no nosso país. 

Abrigos

Diferentes espécies de morcegos têm diferentes preferências relativamente às estruturas que escolhem para se abrigar durante o dia. Minas, grutas, cavidades em árvores, fendas em paredes de edifícios, telhados, pontes, fissuras em muros, caixas-ninho, caves, sótãos e celeiros constituem abrigos frequentemente usados pelos morcegos.

 

Algumas espécies formam grandes colónias, o que significa que cada abrigo pode conter centenas ou mesmo milhares de indivíduos. Outros encontram-se em pequenas colónias (com apenas algumas dezenas de morcegos) ou não formam colónias de todo, pelo menos durante parte do ano.

Dieta

Quase todos os morcegos existentes em Portugal são exclusivamente insectívoros, alimentando-se de traças, escaravelhos, moscas, entre outros. O morcego-arborícola-gigante (Nyctalus lasiopterus) é a única exceção, pois apesar de consumir insetos, durante a época de migração das aves, a sua dieta é também composta por pássaros.

Reprodução

De uma forma geral, o acasalamento ocorre entre o mês de setembro e a Primavera, quando os morcegos se encontram nos abrigos de Inverno, onde hibernam. Em meados de abril/maio, as fêmeas partem e juntam-se em abrigos de criação. As crias nascem entre junho e o início de julho. Quatro semanas após o nascimento, a maioria dos morcegos é já capaz de voar. Em agosto, as fêmeas e as crias começam a dispersar, para ocuparem os abrigos de Inverno. Geralmente, nasce apenas uma cria por ninhada e cada fêmea tem só uma ninhada a cada ano.

Principais ameaças

As principais ameaças que os morcegos enfrentam em Portugal são:

     - O uso excessivo de pesticidas, que diminui a diversidade de presas e pode

       conduzir à contaminação indireta dos morcegos; 

     - A diminuição das áreas de floresta nativa, que leva à redução das zonas

       de alimentação e abrigo; 

     - A destruição e perturbação dos abrigos subterrâneos (ex. minas, grutas);

     - A degradação, alteração ou recuperação descuidada de edifícios, que

       pode resultar na destruição de colónias inteiras;

     - A morte direta por atropelamento (espécies com voo baixo) ou por colisão

       com aerogeradores (espécies com voo alto).

Colónia de morcegos-orelhudos-castanhos (Plecotus auritus) num celeiro.

Colónia de morcegos-de-água (Myotis daubentonii) instalada numa ponte.

Colónia de morcegos-hortelões (Eptesicus serotinus) no telhado de um edifício.

Colónia de morcegos-de-ferradura-pequenos 

(Rhinolophus hipposideros) no sotão de um edifício.

Colónia de morcegos-arborículas-grandes

(Nyctalus noctula) instalada no tronco de uma árvore.